segunda-feira, 20 de junho de 2016

Hoje escrevo sobre sentimental karmagórico

Acho que eu contaria essa história de primeira, caso fosse a um psicólogo:

Aos 16 reencontrei uma paixão antiga de pré-adolescência, era o cara perfeito. Fazia meu tipo, gostava de frequentar os mesmos lugares que eu, tínhamos os mesmos amigos, mesmo gosto em comum, ele tinha dreads e era o cara mais estudioso da turma dele...apareceu como uma direção no meio de tantos sentimentos, numa noite linda... de forró, lua cheia, aventura, cerveja gelada e pessoas legais. Veio chegando, chegando até que me absorveu por completo. E tão nova me vi cuidar de um lar, ter um coração pra chamar de meu, ter uma gripe pra eu curar com carinho, remédio, atenção, sei lá. Eu tinha conseguido o cara que eu mais queria na vida, esqueci todos os sais minerais pra viver essa relação a dois tão tão sonhada. Depois de muito lutar pra conquistar, eu não tava satisfeita no lugar que eu tinha chegado. Nos desgastamos, e na época ele morava longe... Por conta do destino, sentimentos confusos, cabeça barulhada nos separamos quando eu tinha 18 pra 19. Ele separou de mim. Cansou do meu orgulho de sempre, dos meus vícios, da minha procrastinação (até hoje nada absolutamente NADA mudou). Deu um ponto final e depois de tantas manhãs acordando aflita, me sentindo sozinha, errando de bar em bar sem querer achar se quer alguém legal... na real eu não tinha nada de legal pra mostrar naquela época (verão de 2009). Até que reencontrei (sim, reencontrei! minha vida é cheia de desencontros), um cara que já não era mais um menino, que não gostava das mesmas coisas que eu, não ouvia as mesmas músicas, os corres eram outros, a galera era outra "geração delírio", onde eu pude ver de pertinho ao pé da letra o que era sexo, drogas e rock'n roll mesmo. Me apaixonei perdidamente depois de uma noite lotada de Brahmas, papo bom, e um beijo no topo da roda gigante. Eu não poderia prever que esse dia mudaria todo o rumo da minha vida...
Ficamos por sei lá, 2 meses? Acho que no máximo 3. Era a paixão mais platônica que eu tava vivendo na minha vida. Ele era totalmente o contrário do que eu gostava e ainda assim me fazia encantar por ele todos os dias. Eu matava aula, brigava com meu pai, com o mundo, quebrava o espelho... o que fosse preciso pra viver aquilo. Eram noites ótimas, sempre improvisadas, na lojinha, num tom romântico, ele tocava viola lindamente pra mim, tocava piano, comprava miojo de tomate por minha causa, fazia me sentir a jóia mais rara do planeta. Ele me enchia de bilhetes, se derramava... tínhamos o mesmo nome, o signo dele tinha a ver com o meu, o mundo todo parava quando encostávamos a pele um no outro... era loucura. E como nós, meros mortais, não estamos acostumados com toda essa desconjuntura, o que era bom passou a ser doença, ele tinha pavor do meu passado e eu do dele. Ele era mais velho, mais vivido, cheio de histórias e eu era uma menina que nunca tinha tido um contato sexual com outro homem que não fosse aquele de longos anos. Achava tudo legal. Por ironia do destino nos separamos depois desses 2/3 meses. Eu voltei pro meu chão seguro, mas não tinha um dia UM DIA sequer que eu não lembrasse dessa paixão avassaladora na minha vida... Parecia um choro profundo guardado, entalado na minha garganta... eu precisava gritar, só tinha 20 anos... tava começando a entender a vida... sucumbi. O tempo passou, fui amadurecendo (pero no mucho), e sempre teve uma coisa que nunca me saiu da cabeça (além de todos os nossos momentos), se essa pessoa, VEJA BEM, somente ESSA pessoa cruzasse meu caminho de novo, eu poderia sei lá.. tá casada com o Ashton Kutcher que era divórcio na certa. Cansada de prender o choro, de aguar o bom do amor. Eu sabia de todas as consequências, sabia que um cara mau e legal não saía da minha cabeça, eu não conseguia me imaginar mãe dos filhos dele, ou dona do nosso lar, mas eu precisava viver um "agora" que não tinha rolado.
Um belo dia, ele reapareceu, larguei tudo. Deixei tudo pra trás. Uma casa verde legal lotada de amigos, música, beck, bichos, comidinhas, war, bolo de chocolate, um amor pra vida toda que já durava há 7 anos (sim, aquele relacionamento lá de cima), liberdade... tudo. Eu queria viver aquele quase amor. Ainda que fosse numa cela de um presídio (mentira). Exagero. Enfim.
Ele já não era um cara mau, não bebia mais, não me recebia mais com hi-fi (assim que fala? vodka e suco de laranja), não me seguia em todos os bares da minha cidade, não fumávamos mais vários e íamos pra cama... não tinha nada disso. Tinha outra história.
Ele agora era careta de tudo, ideal e drugs em geral.
Aceitei. Lógico. Guardei minhas olheiras da madrugada, tirei a poeira daquele tênis de caminhada e fui passear pelo Rio de Janeiro de moto... fazendo trilhas, conhecendo, explorando... o que a gente queria era viver... juntos. Era o maior sonho dele também.
E de novo entramos num ciclo de paixão tóxica, descobri que o cara mau e legal não era tão mau assim, e que ele também não era tão cool e descolado como eu pensava.
Eu o amava. Como sempre e COMO NUNCA. Suportei uma porrada de situações blé, nojentas, chatas, sonolentas por ele. Troquei minha sexta a noite bebendo com os amigos pra ir pra uma reunião de Narcóticos Anônimos... e te falar, foi o período que mais mudou a minha vida.
Não, eu não fiquei careta... hehe. Mas entrei num processo de auto descobrimento e auto conhecimento muito profundo. Pude viver uma paixão de verdade e estar lá bem lúcida de quem fracassei. Fracassamos. Era tóxico demais, forte demais, sangue demais, choro demais, angústias demais, sabotamentos demais. Cansei. Cansamos.
Na real nem sei porque comecei a escrever isso tudo, comecei a falar de uma pessoa mas caí naquela velha cilada de falar da mesma pessoa de sempre. Eu não me aguento mais nessa situação, não aguento meus amigos perguntando tão receosos sabendo que é algo tão vivo em mim ainda, é algo que me priva de viver e me entregar a um momento legal. Nunca foi legal deixar você, escrevi isso no post anterior. Eu sabia que você ia casar, ou arranjar um relacionamento qualquer só pra superar a frustração que era me perder pra todos os seus medos e todas as suas inseguranças e agora de uma forma diferente. Eu conhecia seus anseios, sabia onde te doía, sabia fazer a massagem que você gostava, sabia exatamente coçar suas costas como você gostava, sabia a hora que você fazia coco, o que gostava de comer, o que te fazia feliz. Fui pro mundo. Me joguei. Dolorida pra caralho. Cansada pra caralho. Não quero falar de você, mas só quero falar de você. Não quero que ninguém lembre que estivemos juntos porque eu não quero lembrar. Não quero me lembrar da cara que você fazia quando me pedia algo, quando tava triste ou feliz, quando éramos uma casa. Você era a minha casa. Meu lugar favorito do mundo.
Me sinto forte pra caralho por ter deixado você ir e liberar a gente. Eu não sabia, e você embora quase com 10 anos a mais, muito menos.

Sigo te amando, sigo com aquela tatuagem no peito que nunca foi feita, sigo muito pior com as nossas lembranças. Sigo comparando seu sexo com os que esbarro por aí. Sigo sonhando com você. Sigo procurando o barulho da sua moto. Sigo esvaziando garrafas. Sigo me sujando só de sacanagem. Por você. Pra você.

Não quero mais falar, não aguento. Uma amiga disse que esse é o começo do fim... mas "ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar vazio..." será? não quero que você se encontre. morro de revolta, de raiva, vontade de fazer você enxergar com meus olhos e me amar do jeito que eu planejei pra gente. Você não soube, nem eu.

Seja feliz. Ou não. Sei lá, seja sim.

Comecei pra falar de uma coisa, perdi todo o raciocínio. Whatever, eu só espero que isso não seja amor. No fundo no fundo mesmo, eu só espero que isso passe bem rápido. Porque afinal de contas... as coisas não precisam de você, quem disse que eu tinha que precisar?

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